Seguro pede “soluções concretas e duradouras” para a habitação
O Presidente da República reiterou esta terça-feira que a habitação é uma das suas “principais preocupações”. Após vários dias de silêncio, enquanto decorriam acampadas em Lisboa e no Porto, António José Seguro renovou o apelo para que Governo e partidos encontrem “soluções concretas e duradouras, que vão para lá das legislaturas”.
Na sessão de encerramento da cerimónia de comemoração dos 50 anos de atividade do Banco Europeu de Investimento em Portugal, na qual a presidente do banco, Nadia Calvino anunciou a disponibilização de 300 milhões de euros ao Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU 2030) para promover a habitação a preços acessíveis, Seguro sublinhou que é preciso “dar escala e rapidez à resposta para que mais pessoas possam ter uma casa compatível com o seu rendimento” e que “o esforço nacional deve ser acompanhado por uma mobilização europeia, numa conjugação de esforços dos Estados membros, da Comissão Europeia e do BEI”.
A nossa responsabilidade é assegurar que essa oportunidade se multiplique, que os projetos avançam, que as casas sejam distribuídas e que as famílias encontrem respostas compatíveis com o seu rendimento
“A habitação é uma das minhas principais preocupações e continuará a merecer o meu total empenho. Renovo o apelo ao diálogo entre o Governo e os partidos políticos, para que se encontrem soluções concretas e duradouras, que vão para lá das legislaturas, e que permitam às famílias, e em particular aos jovens, aceder a uma casa e construir o seu projeto de vida”, afirmou.
“A nossa responsabilidade é assegurar que essa oportunidade se multiplique, que os projetos avançam, que as casas sejam distribuídas e que as famílias encontrem respostas compatíveis com o seu rendimento”, sublinhou António José Seguro, que na quarta-feira se vai reunir com especialistas na área da habitação e na quinta vai receber os partidos para discutir a coesão social e a 2 de novembro convocou o Conselho de Estado para discutir o mesmo tema.
Num dia em que se vai realizar uma nova manifestação em frente à Assembleia da República, onde o primeiro-ministro esteve a discutir a proposta de Orçamento do Estado para 2027, Seguro recordou que “a dificuldade de acesso à habitação condiciona a autonomia dos jovens, a mobilidade dos trabalhadores e o desenvolvimento das comunidades”.
Esta manhã, o Chefe de Estado já tinha dito que não gostou do que viu nas acampadas e apelou ao diálogo. “A cultura portuguesa é uma cultura de diálogo. Não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto. Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado”, disse aos jornalistas, no fim de uma visita à Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA), em Lisboa.
Seguro deixou ainda uma palavra a favor do investimento. “Precisamos de compromissos que tenham continuidade para o investimento, para além das legislaturas. Não podemos voltar sempre ao princípio, cada vez que há uma mudança”, alertou o Chefe de Estado. “Precisamos de projetos bem preparados, de decisões em tempo útil e de instituições que trabalhem em conjunto”. acrescentou ainda, sublinhando a necessidade de promover a Coesão e dos projetos a ganhar escala.
