A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos abriu uma frente de incertezas entre aliados. No PL, parlamentares tentam entender os próximos passos da família Bolsonaro, enquanto parte da sigla já dá sinais de tentar buscar maior moderação.
Em meio às dúvidas sobre o futuro político de Flávio a partir de solo americano, o partido também procura se reorganizar e fazer contas para outras disputas de peso: as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados.
Aliados de Flávio no Brasil ainda buscam respostas para as várias interrogações sobre a estratégia da direita e sobre quem vai efetivamente conduzir as articulações do grupo daqui para frente.
Há um consenso de que a fuga do senador dificulta as interações e negociações com a própria bancada do PL. Para parte dos aliados, trata-se de um capital político de quase 60 milhões de votos que corre o risco de ficar subutilizado ou até esfacelado.
Embora apoiem a tese de perseguição política, correligionários de Flávio ainda esperam um sinal mais claro de como se posicionar, especialmente depois da visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente e pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, nesta quinta-feira (29).
Uma reunião do PL na próxima semana deve servir para esclarecer melhor o cenário aos que permanecem no Brasil. Enquanto isso, Valdemar já deixou claro que considera necessário “tocar o partido para frente”.
“É lógico que ninguém concorda com isso. Nós queremos tocar o país para frente. Queremos tocar o partido para frente. Esse é o nosso objetivo e vamos tocar. Ninguém aprovou a carta”, afirmou Valdemar.
Nos bastidores, uma ala do PL defende um caminho de moderação, distante do teor golpista da carta de Flávio. A preocupação ocorre especialmente em um momento em que o partido precisa preservar a unidade, diante de suas bancadas recordes, e evitar que as incertezas sobre a família Bolsonaro contaminem outras articulações políticas.
Entre elas estão as negociações para as presidências da Câmara e do Senado. Partidos do centrão já discutem a definição dos comandos e a distribuição de espaços nas duas Casas para os próximos dois anos.
Uma das incógnitas é o quanto a crise vai afetar as ambições do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, de assumir a Presidência do Senado. Ele segue demonstrando apoio ao senador ao sustentar a tese de perseguição política, mas está entre os aliados que desaprovam qualquer dúvida sobre a integridade da eleição.
O caminho até o comando do Senado, porém, já tem outros obstáculos. Marinho enfrenta a concorrência interna na direita da senadora Tereza Cristina (PP-MS), também interessada na cadeira hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP). O atual presidente da Casa, por sua vez, já se movimenta para permanecer no cargo, visando o apoio do centrão e de governistas.
Nesse cenário, ainda não está claro se o PL conseguirá unificar a direita em torno de Marinho e construir uma frente capaz de ameaçar a reeleição de Alcolumbre.
Enquanto tenta preservar espaço no jogo político em Brasília, o grupo de Flávio também precisa administrar a repercussão dos episódios envolvendo a carta de teor golpista.
Nesta quinta-feira, um aliado do senador nos Estados Unidos chegou a atribuir à inteligência artificial a inclusão do termo “presidente eleito” e o uso do antigo brasão do Brasil em uma das versões da carta divulgadas por Flávio. A explicação foi logo questionada nas redes sociais.
No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições brasileiras. Apesar das declarações, Trump tem adotado cautela em suas manifestações e não deve reconhecer Flávio como presidente legítimo.
Carlos Silva Santiago, do PSD, admitiu estar embriagado no momento da colisão, em 2024. Dois anos depois, o processo continua. Porquê a demora? O advogado Miguel Matias é o convidado.
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) defendeu, nesta quarta-feira (28), uma redução de 80% no volume de recursos destinados às emendas parlamentares no Orçamento da União. Durante participação na Super Manhã da Rádio Jornal, o parlamentar criticou o crescimento do controle do Congresso sobre os recursos públicos e afirmou que pretende atuar para devolver ao Poder Executivo maior responsabilidade sobre a definição das despesas federais.
"Eu defendo cortar em 80% o valor das emendas. Quem foi eleito para controlar o orçamento foi o presidente da República", declarou.
Jones, que recebeu 249.077 votos e foi o segundo deputado federal mais votado de Pernambuco nas eleições de 4 de outubro, afirmou que pretende utilizar as emendas parlamentares durante o mandato, desde que sejam respeitados critérios de transparência e rastreabilidade.
O parlamentar citou instituições de ensino, hospitais e movimentos sociais entre os possíveis destinatários dos recursos que pretende indicar. Segundo ele, o uso das emendas não altera sua posição contrária ao atual modelo de distribuição orçamentária.
Para 2027, o projeto de Orçamento encaminhado pelo governo federal prevê R$ 44,8 bilhões em emendas individuais e de bancada, montante que ainda pode crescer durante a tramitação no Congresso com a inclusão de emendas de comissão.
Jones considera que o crescimento desses recursos prejudica o planejamento das políticas públicas e favorece a reprodução de mandatos por meio da destinação de verbas.
Independência e críticas ao governo Lula
Apesar de ter participado da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jones afirmou que manterá independência política em relação ao governo federal e anunciou oposição a eventuais medidas de ajuste fiscal que impliquem cortes em políticas sociais.
O deputado eleito criticou declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a necessidade de medidas para o cumprimento das metas fiscais. Na terça-feira (27), o ministro afirmou que a equipe econômica estuda propostas de ajuste, incluindo mudanças nas regras de contingenciamento de despesas, ainda dependentes de discussão e autorização do governo.
Para Jones, a adoção de medidas de austeridade representaria uma contradição com o discurso utilizado na campanha presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL).
"A gente acabou de derrotar o Flávio Bolsonaro, dizendo que o Flávio Bolsonaro queria fazer um tesouraço e atacar saúde, educação, salário mínimo, BPC, aposentadoria", afirmou.
"A gente não pode chegar e fazer um ajuste fiscal. Isso não é aceitável", acrescentou.
Jones também criticou o arcabouço fiscal aprovado durante o terceiro mandato de Lula. Na avaliação dele, as regras de controle das despesas limitam investimentos em serviços públicos e contribuem para dificuldades enfrentadas por instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O parlamentar argumentou que o debate sobre as contas públicas deveria priorizar a redução das despesas com juros e o enfrentamento dos problemas do sistema financeiro.
Ele também reiterou críticas a iniciativas de concessão e privatização de serviços públicos, citando o Metrô do Recife e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Jones afirmou que pretende atuar no Congresso contra o processo de privatização do sistema metroviário da capital pernambucana.
"Acho que o nosso compromisso é com a classe trabalhadora, não é com governos. O governo é um meio de transformar a vida das pessoas, de garantir direitos, garantir melhores condições de vida", declarou.
O deputado eleito ponderou que continuará apoiando iniciativas do governo federal que considere positivas, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e medidas de proteção aos trabalhadores.
"Eu não sou militante do PT. Eu sou militante do PSOL. O PSOL é um partido socialista. É um partido que tem um programa para a classe trabalhadora", afirmou.
Fim da autonomia do Banco Central
Jones também defendeu a revogação da autonomia do Banco Central, aprovada em 2021. Para o deputado eleito, a definição da política monetária deve estar diretamente submetida ao presidente da República, eleito pelo voto popular.
O parlamentar argumentou que o governo federal deve ter responsabilidade direta pelas decisões relacionadas às taxas de juros, à inflação e ao crédito.
"Quem manda não é o voto popular? Não é a vontade da maioria da população? Então, o presidente da República, eleito pelo voto popular, escolhido pela maioria da população, tem que mandar na política monetária", defendeu.
Jones também questionou a atuação do Banco Central na fiscalização de instituições financeiras e defendeu maior rigor no controle sobre operações bancárias e financeiras utilizadas para lavagem de dinheiro.
Na avaliação dele, o combate à circulação de recursos provenientes do crime organizado deve incluir a fiscalização de fintechs e outras instituições do setor financeiro. O deputado citou investigações como a Operação Carbono Oculto para defender a necessidade de aperfeiçoar a regulação do mercado.
Reforma política e participação popular
Sobre a proposta de reforma política apresentada pelo presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB), Jones afirmou que ainda precisa avaliar os detalhes do voto distrital misto antes de assumir uma posição definitiva, mas demonstrou preocupação com o modelo sugerido por Motta.
O formato discutido prevê a combinação de representantes eleitos por distritos geográficos e por listas partidárias. A proposta anunciada pela presidência da Câmara prevê uma transição em 2030, com implantação do sistema em 2034.
Jones demonstrou preocupação com o risco de o sistema distrital fortalecer grupos políticos com controle territorial e com a possibilidade de listas fechadas ampliarem o poder das direções partidárias sobre a escolha dos candidatos.
"Eu tenho dúvida sobre o distrital misto. Eu acho que precisa avaliar e aprofundar melhor, porque modelo distrital pode reforçar certa dinâmica oligárquica de controle de território", afirmou.
O deputado também defendeu que uma reforma política inclua mecanismos para ampliar a participação direta da população nas decisões nacionais. Entre as possibilidades mencionadas estão a realização de plebiscitos e referendos com regras menos restritivas para sua convocação.
"Qualquer debate sobre reforma política que não passe por aprofundamento da participação popular direta tem um problema", afirmou.
Relação com a bancada pernambucana
Questionado sobre a convivência com deputados de diferentes posições ideológicas na nova bancada federal de Pernambuco, Jones afirmou que pretende buscar apoio para propostas relacionadas à defesa de direitos sociais, ao enfrentamento da desigualdade e à melhoria dos serviços públicos.
O parlamentar reconheceu que haverá divergências entre representantes da esquerda e de outros campos políticos, mas avaliou que algumas pautas podem permitir a construção de acordos.
Jones citou a deputada federal Iza Arruda (MDB) e o deputado Lula da Fonte (PP) como exemplos de parlamentares com os quais acredita ser possível dialogar. Entre os projetos que pretende apresentar, mencionou a criação de um 13º pagamento para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
"Eu tenho certeza que dá pra dialogar com a Iza Arruda. Dá pra dialogar com outras figuras. Dá pra dialogar com o Lula da Fonte, por exemplo", afirmou.
Por outro lado, Jones fez críticas a integrantes da direita eleitos por Pernambuco, especialmente Thiago Medina, do PL, com quem declarou não enxergar espaço para diálogo político.
O deputado eleito também apontou temas como a infraestrutura, os serviços públicos e o combate à fome entre as questões que devem mobilizar sua atuação no Congresso.
Mandato de dez anos para ministros do STF
Outra proposta defendida por Jones durante o debate foi a fixação de mandato de dez anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que considera necessária uma reforma mais ampla do Judiciário, envolvendo critérios de permanência nos tribunais, limites remuneratórios e mecanismos de controle das decisões judiciais.
Jones citou a reforma judicial realizada no México como uma experiência que pode contribuir para o debate brasileiro, embora tenha reconhecido a necessidade de adaptações às particularidades do país.
Ele também criticou o uso de pedidos de impeachment de ministros do STF como instrumento de disputa política, diferenciando essa estratégia de uma discussão institucional sobre o funcionamento da Justiça.
Futuro do PSOL após decisão do TSE
Em entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio após a participação na Rádio Jornal, Jones também comentou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reconheceu o cumprimento da cláusula de barreira pela federação PSOL-Rede.
Na terça-feira (27), a Corte aceitou, por unanimidade, o arredondamento do percentual de votos obtidos pela federação no Espírito Santo, de 1,4912% para 1,5%. Com isso, a aliança partidária alcançou o percentual mínimo exigido em nove unidades da Federação e preservou o acesso aos fundos partidário e eleitoral e à propaganda gratuita.
Jones afirmou que a decisão era esperada e argumentou que o desempenho eleitoral demonstra o fortalecimento do PSOL, apesar das dificuldades enfrentadas para superar a exigência legal.
O deputado também criticou setores internos que defenderam uma aproximação maior com o PT, incluindo a possibilidade de uma federação partidária entre as legendas.
Segundo ele, o crescimento eleitoral do PSOL reforça a possibilidade de uma atuação independente no campo da esquerda. Jones reconheceu, no entanto, que o partido ainda precisa ampliar sua presença fora das grandes capitais e regiões metropolitanas, conquistando espaço em cidades pequenas e médias.
Para o deputado eleito, a expansão partidária pode transformar o PSOL em uma das principais referências da esquerda nacional nos próximos anos.
"O PSOL cresce, se fortalece, supera o problema da cláusula de barreira e tem tudo para se afirmar a médio e longo prazo como o principal partido da esquerda brasileira", declarou.
Segundo mais votado em Pernambuco para deputado federal, Jones Manoel (PSOL) participou do debate da Super Manhã na Rádio Jornal, nesta quarta-feira (28)
O deputado federal reeleito Pedro Campos (PSB) afirmou, nesta quarta-feira (28), que a nova bancada pernambucana na Câmara dos Deputados poderá construir acordos em torno de projetos estratégicos para o estado, mesmo diante das diferenças partidárias e ideológicas entre seus integrantes.
Durante participação no debate da Super Manhã da Rádio Jornal, o parlamentar destacou a possibilidade de união em pautas regionais, como a Transnordestina, mas demonstrou preocupação com as dificuldades de convivência política na próxima legislatura.
"Me preocupa um pouco, porque realmente você entra num cenário de visões de mundo e de forma de fazer política que são tão antagônicos que é muito difícil sentar na mesma mesa. Eu não tenho dúvida disso", afirmou.
Pedro, que foi o deputado federal mais votado de Pernambuco nas eleições de 4 de outubro, com 261.555 votos, avaliou que a defesa dos interesses regionais pode se sobrepor às divergências entre esquerda e direita em determinadas votações no Congresso Nacional.
O parlamentar citou como exemplo as discussões sobre incentivos fiscais para a indústria automobilística do Nordeste. Segundo ele, deputados de diferentes partidos da região atuaram conjuntamente pela manutenção dos benefícios, enquanto representantes do Sul e do Sudeste se posicionaram majoritariamente contra a medida.
"Tem muita briga que é feita no Congresso Nacional que é uma briga federativa", explicou.
Outra pauta mencionada foi a Transnordestina. Pedro afirmou que a bancada pernambucana pode divergir sobre o modelo de financiamento ou de execução da ferrovia, mas considera que há convergência sobre a necessidade de realizar o investimento.
"Pode ser que tenha até discussão do formato, pode ser que alguém defenda e diga 'não, acho que isso deve ser feito como obra pública', o outro vai dizer 'ah, não, isso pode ser feito por uma concessão'. [...] Mas quando é assim, 'é pra fazer ou não é pra fazer?', todo mundo acredita que deve ser feita a Transnordestina", declarou.
Apesar dessa possibilidade de articulação, Pedro demonstrou preocupação com o ambiente político da próxima legislatura. Ele lembrou que os integrantes da bancada pernambucana conseguiram manter o diálogo nos últimos quatro anos, inclusive durante as escolhas de suas lideranças.
Segundo o deputado, Carlos Veras (PT) e Augusto Coutinho (Republicanos) foram escolhidos para a coordenação da bancada por aclamação, sem disputas entre os parlamentares.
"A bancada de Pernambuco, que estava na legislatura atual, que está na legislatura atual, se reuniu, a bancada toda, por várias vezes, e nunca teve um problema em uma reunião de bancada de Pernambuco", relatou.
O socialista ponderou, entretanto, que a capacidade de diálogo dependerá também da disposição dos novos integrantes para manter uma convivência respeitosa.
Reforma política
Pedro Campos também questionou a possibilidade de o Congresso Nacional aprovar uma reforma eleitoral ainda em 2026, conforme anunciado nesta quarta-feira pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta informou que pretende discutir e colocar em votação, até o fim do ano, uma proposta de mudança no sistema eleitoral brasileiro, com a adoção do voto distrital misto a partir de 2034 e um modelo de transição nas eleições de 2030.
A proposta combina a eleição de representantes de distritos geográficos com a distribuição de vagas por meio de listas partidárias. Os detalhes do funcionamento e da transição ainda serão discutidos entre as legendas.
Pedro reconheceu a necessidade de aperfeiçoar o sistema eleitoral, mas questionou a legitimidade política de promover mudanças dessa dimensão depois que os eleitores já escolheram a composição da próxima legislatura.
"Quem é que tem mais legitimidade popular nesse momento? Com todos os seus problemas, o novo Congresso representa mais o desejo da população hoje do que o Congresso que está aí", afirmou.
"Você fazer uma reforma política, que é um tema que diz respeito diretamente ao voto e à decisão das pessoas, com um Congresso que está faltando três meses para terminar não é simples. É uma coisa que já pode nascer com questionamentos", acrescentou.
O deputado ponderou que o voto distrital misto apresenta vantagens, como o fortalecimento da representação territorial e a possibilidade de preservar a disputa entre projetos partidários. Entretanto, alertou para dificuldades na definição dos distritos e das listas de candidatos.
Pedro também mencionou o risco de concentração de poder em determinados territórios, inclusive em regiões sob influência de organizações criminosas.
Para ele, uma eventual reforma precisa considerar essas limitações e evitar que a substituição do modelo atual produza novos problemas.
"Se chegar num bom modelo e num bom formato, eu acho que a gente precisa avançar muito e que o nosso modelo tem vários problemas e defeitos também", afirmou.
Reforma do sistema financeiro
Durante o debate, Pedro Campos também defendeu uma reforma profunda do sistema financeiro brasileiro, com mudanças nas regras de fiscalização bancária, redução dos juros e combate a fraudes financeiras.
O deputado informou que apresentou uma proposta para ampliar o acompanhamento das instituições financeiras pelo Congresso Nacional.
Em maio, ele protocolou o Requerimento 122/2026, que solicita a criação de uma subcomissão especial na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. O colegiado teria como objetivo acompanhar e fiscalizar a atuação dos órgãos reguladores do sistema financeiro, especialmente o Banco Central, e propor mudanças na legislação.
"Eu acredito, e venho trabalhando isso no Congresso, de que um dos grandes problemas que nós temos no Brasil é a forma como nosso sistema financeiro funciona, que é um dos grandes concentradores de renda e de riqueza no nosso país", declarou.
Pedro apontou três frentes para a reforma: a redução dos juros cobrados da população, o enfrentamento de grandes fraudes bancárias e a prevenção de golpes financeiros contra consumidores.
O parlamentar citou o escândalo envolvendo o Banco Master como exemplo da necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização e responsabilização de instituições financeiras.
Segundo ele, as mudanças também precisam alcançar fraudes de menor valor, que atingem principalmente pessoas idosas, além de operações utilizadas para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas.
"A gente não pode permitir um sistema onde, do nada, chega um estelionatário, como o Daniel Vorcaro, encanta ali uma meia dúzia de pessoas em Brasília, e foge com 60 bilhões de reais", afirmou.
Federação entre PSB e PDT
Em entrevista ao Jornal do Commercio após o debate, Pedro Campos também comentou as negociações para a formação de uma federação partidária entre o PSB e o PDT. Segundo ele, as conversas são conduzidas pelo presidente nacional do PSB, João Campos, e pelo presidente do PDT, Carlos Lupi.
Na terça-feira (27), o PDT aprovou uma resolução que delega à Executiva Nacional a condução das negociações sobre uma possível federação, fusão ou incorporação partidária, manifestando preferência pela união com o PSB. A decisão não representa, entretanto, a formalização de um acordo entre as legendas.
Pedro afirmou que a aproximação é um desejo antigo do PSB e lembrou que os partidos tentaram construir uma federação antes das eleições de 2022, sem chegar a um entendimento. As conversas foram retomadas depois daquele pleito e agora chegam a uma terceira tentativa.
O cenário atual também é marcado pelo desempenho eleitoral do PDT, que não conseguiu superar a cláusula de barreira nas eleições deste ano.
Para Pedro, a união pode contribuir para preservar a atuação de uma legenda histórica e ampliar a representação de partidos de centro-esquerda. O deputado destacou a relação histórica entre as duas siglas, citando o legado do ex-governador Miguel Arraes, do PSB, e do ex-governador Leonel Brizola, do PDT.
"Do ponto de vista da história do Brasil, por assim dizer, é uma espécie de reencontro, de Arraes e de Brizola, de tanta gente boa dos dois partidos e de tanta gente que acreditou numa construção política à esquerda, à centro-esquerda", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de outras siglas participarem da articulação, Pedro declarou que o entendimento está concentrado inicialmente no PSB e no PDT, mas não descartou a aproximação de outras forças políticas.
"Eu acredito que o centro dessa construção é PSB e PDT, mas ela poderá também atrair outras forças", disse.
Reforma do STF
Pedro Campos também defendeu mudanças no funcionamento do Poder Judiciário e informou que assinou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para discutir uma reforma do setor.
Questionado sobre a possibilidade de estabelecer mandatos com duração determinada para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o socialista afirmou que considera a medida possível, mas ponderou que ela não resolveria, isoladamente, os problemas institucionais da Corte.
"A questão do tempo eu acredito que é algo que é possível de se fazer. Tem duas formas de fazer. Uma é com relação a mandato. A outra é você estabelecendo uma idade mínima, mais alta, que talvez seja até uma forma melhor de se colocar isso do que com o mandato", afirmou.
Na avaliação do deputado, a principal discussão deve envolver mecanismos que aproximem o funcionamento do Judiciário das demandas da população, preservando a autonomia e os critérios técnicos das decisões.
Pedro também criticou a defesa do impeachment de ministros do Supremo feita por integrantes da direita durante a campanha presidencial, argumentando que a discussão teria sido utilizada como instrumento de disputa pelo controle da Corte.
Para ele, eventuais mudanças precisam fazer parte de um debate institucional mais amplo, com participação da sociedade.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira (28) a criação de um grupo de trabalho (GT) para debater regras de propaganda eleitoral nas redessociais e em outras plataformas digitais. O anúncio foi feito após reunião com líderes e presidentes de partidos do centrão.
Cada partido com representação na Casa poderá indicar um integrante. O colegiado terá o prazo inicial de duas semanas para elaborar uma proposta de mudança no Código Eleitoral. A intenção de Hugo Motta é levar o texto a votação até o fim do ano. Segundo ele, existe um “sentimento unânime” entre as bancadas em favor do avanço da discussão.
O presidente da Câmara afirmou que a legislação eleitoral já traz regras para o material impresso, a televisão e o rádio, mas ainda deixa lacunas no ambiente digital. Para ele, é preciso garantir “paridade de armas” entre candidatos e partidos, com um sistema transparente e isonômico.
Leia Mais:
Motta também tentou afastar a ideia de que o objetivo seja restringir a liberdade de expressão. “Nossa ideia não é tolher absolutamente ninguém, não é censurar absolutamente ninguém”, declarou. Segundo ele, a proposta busca dar clareza aos critérios da propaganda nas plataformas.
Voto distrital misto
A mesma reunião tratou de outra pauta: a reforma do sistema eleitoral. Lideranças do Centrão defendem a votação de uma proposta ainda neste ano, antes da posse dos novos parlamentares, em fevereiro de 2027.
A ideia é construir uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que preveja uma transição. Em 2030, a eleição para a Câmara seria feita pelo “distritão”. A partir de 2034, passaria a valer o voto distrital misto.
No modelo distrital misto, parte das vagas é disputada em distritos dentro de cada estado, e o restante é preenchido por listas partidárias. No distritão, são eleitos os candidatos mais votados individualmente no estado, sem levar em conta o desempenho do partido.
Participaram do encontro dirigentes e líderes de PP, União Brasil, Republicanos, MDB, PSD, PSDB, Cidadania e Podemos, além de integrantes do PSB.
Motta disse que, com o acordo firmado, as bancadas vão procurar apoio em outras siglas, como PT, PCdoB, PV, Rede e Psol, e também no PL e no Novo. A proposta ainda enfrenta resistência entre algumas legendas.
A articulação ganhou força após as eleições, com o crescimento da bancada do PL e a perda de espaço de partidos do Centrão na Câmara. Um dos objetivos é reduzir o peso dos chamados “puxadores de votos”, candidatos muito votados que ajudam a eleger outros nomes da mesma legenda no sistema proporcional atual.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (27), o requerimento que convida a empresária e lobista Roberta Luchsinger a prestar esclarecimentos aos deputados. O pedido é do deputado Sanderson (PL-RS).
O requerimento é de convite, e não uma convocação. Ou seja, o comparecimento não é obrigatório e Luchsinger poderá decidir se vai ou não à comissão. Caso aceite, a data da audiência ainda será definida pelo colegiado.
Sanderson apresentou o documento em 23 de outubro de 2026. O objetivo é que a empresária explique as ameaças de morte que afirma receber, inclusive contra as filhas, e as tentativas de silenciamento que diz sofrer. Essas declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil, exibida em 17 de outubro.
O documento também diz que a lobista poderá indicar, sem violar sigilo legal ou judicial, elementos que possam ser enviados às autoridades responsáveis pela investigação.
O que dizem as investigações
Luchsinger é investigada pela Polícia Federal em três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), ao lado de Lulinha, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais.
Para a PF, ela seria o elo entre o “Careca do INSS” e Lulinha. O relatório cita cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos por Antunes à lobista. A defesa afirma que os valores são honorários por serviços de consultoria e nega irregularidades.
Lula nega proximidade com a lobista e diz não conhecê-la pessoalmente. Lulinha e Antunes não são acusados no requerimento.
Na entrevista à CNN Brasil, Luchsinger declarou a intenção de firmar acordo de delação premiada com a PF. Em dezembro de 2025, a CPMI do INSS rejeitou, por 16 votos a 12, requerimentos de convocação dela.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, declarou nesta segunda-feira (26) que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal serão a “fortaleza” da oposição contra mais quatro anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25).
“Pra resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Camara, foi uma vitória que vcs deram para o Brasil. Vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar uma estratégia e fazer da camara e do senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já está desenhada para acontecer”, disse em suas redes sociais.
Leia Mais:
No pleito do dia 4 de outubro, data do primeiro turno e definição das cadeiras legislativas, o PL (Partido Liberal) de Flávio Bolsonaro terá 29 dos 81 senadores e 121 cadeiras na Câmara dos Deputados.
O senador também destacou que não será calado ou intimidade e pediu aos apoiadores para “levantar a cabeça”.
Lula foi reeleito pela quarta vez com 51,79% dos votos válidos, enquanto o primogênito de Jair Bolsonaro, 48,21%.
Aguiar Branco quis rejeitar o debate de urgência pedido pelo Livre sobre habitação mas acabou ultrapassado. Em causa estava o conceito de "quinzena" na linguagem parlamentar.
O deputado do Bloco de Esquerda correu para as câmaras para fazer de mediador. A lei de 1974 vira vilã? E que nota merece a cobertura da comunicação social sobre os protestos da habitação?
Das acampadas com minutos de silêncio no chão ao fumo duvidoso a pairar no Rossio. Já o parlamento oscila entre uma acampada e uma garraiada com troca de mimos entre Paulo Núncio e Fabian Figueiredo.
Quando chegou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no fim da tarde da segunda-feira (19), Henrique Neiva não sabia que terminaria o dia em um exame de corpo e delito, com hematomas pelo corpo e um dente fraturado. O estudante de 28 anos fez parte do grupo que tentou resistir ao avanço de um protesto organizado pelo perfil “Endireita RN” no grupo de WhatsApp “UFRN Anti Lula”, administrado pelo secretário do gabinete do deputado federal General Girão (PL-RN), Allison Lobato. O parlamentar Girão esteve envolvido na ação junto à vereadora de Natal recentemente eleita deputada estadual Camila Araújo (PL-RN).
“Era pra ter quebrado mais uns três”, dizia uma mensagem no grupo, após o fim do protesto. “Apanhou pouco”, completava outro integrante, após as notícias de agressões começarem a se popularizar na Grande Natal. A Agência Pública teve acesso a mensagens trocadas no grupo administrado pelo secretário de gabinete do deputado da extrema direita. O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Plantão da Polícia Civil.
A noite que não terminou
Henrique Neiva ainda estava em casa quando começou a ouvir um paredão automotivo reproduzindo: “Um caminho novo pra gente seguir. Agora é Flávio presidente”, parte da letra de um dos jingles do candidato à presidência pelo PL. Por volta das 17h, o universitário chegou à unidade de ensino, onde foi avisado que as aulas estavam sendo interrompidas e os estudantes, liberados, devido à aglomeração que se formava em frente à UFRN.
“Quando eu cheguei, já estava tendo violência, né? Eles já estavam xingando e instigando as pessoas a irem pra cima”, conta o estudante que disse ter acompanhado quando as ofensas passaram de verbais à físicas. “O que a gente tava fazendo era uma corrente humana, dizendo que daquele lado eles não passavam”, disse o estudante.
“Recua, fascista, recua”, gritavam alunos, como pode ser visto em vídeos divulgados nas redes sociais. Em outros registros, o deputado General Girão (PL), cercado por seguranças privados, aparece dizendo: “Avança, avança. Esse ambiente é meu também” e “muitos de vocês ficam na vadiagem vendendo drogas aqui dentro”, acusava.
Henrique conta que o portão do campus estava sendo fechado quando as agressões tiveram início. “Fui segurar o portão. E aí do outro lado a galera estava gritando, xingando e chamando para a violência. Quando eu saio com o meu celular para gravar quem é que estava fazendo isso eu levo um chute na perna. É nesse momento que eu vou atrás de quem me chutou e quando eu vou para cima sou agredido”, narrou o estudante que recebeu chutes e pontapés ao cair no chão, momento registrado em vídeos por colegas.
Após ser submetido por um exame de corpo de delito, Neiva foi para casa, mas não conseguiu dormir direito. “Eu estava sentindo dores e fiquei com uma angústia muito grande do que tinha acontecido, que eu tinha ido pra lá para ser agredido. Fiquei pensando que não vale de nada, né? Nada vai tirar as agressões que eu sofri”, conta. “É necessário ter responsabilização para que isso não volte a acontecer”, opina.
Estou me recuperando física e mentalmente, também temendo pela segurança, mas não tenho deixado esse medo me paralisar. Mesmo eu recebendo esses comentários de ódio nas minhas redes sociais, eu continuo seguindo a minha vida. […] Não acho que é o momento de parar. Eu acho que é na verdade um momento de intensificar, de a gente ocupar mais as ruas, de a gente disputar a consciência das pessoas, de a gente mostrar que não tem outra alternativa senão a luta política”
Henrique Neiva
estudante universitário.
Os lados da moeda
Em sua curta jornada política, Henrique Neiva já vivenciou lados opostos do espectro político e disse ter votado em Jair Bolsonaro em 2018, motivado pelo sentimento antipetista. Foi com a efervescência política de junho de 2013 que Neiva começou a se interessar por política. O jovem contou que começou a buscar na internet informações sobre o cenário político brasileiro, e foi quando teve contato com o pensamento liberal. Foi no MBL que Henrique começou sua trajetória na militância, e chegou a se candidatar a vereador de Natal pelo Novo, mas diz que o sentimento mudou durante o mandato de Bolsonaro.
“Eu vi que não era um governo que tava sendo feito para governar para todas as pessoas, era um governo feito de atacar as instituições públicas e aí essa desesperança começa e se amplifica em 2020”, avalia o jovem, que disse ter sentido na pandemia o divisor de águas de sua visão política, em especial, devido à recusa do governo federal em comprar imunizantes.
Jovem negro e periférico, estudante universitário desde 2021, Neiva disse ter repensado a própria existência em contato com o rap. No ano de 2023, já se considerava de esquerda, e a experiência de um episódio de violência policial o fez sentir como o ódio pode ser força motriz da política, nas redes e nas ruas. “Eu não recebi solidariedade daquelas pessoas que antes diziam estar comigo. Tive, na verdade, apoio de muitas que antes eu tinha como inimigo. Porque a direita faz com que você enxergue pessoas de esquerda como inimigo explícito. Uma mentalidade autoritária. Você pensa diferente de mim e automaticamente você odeia o Brasil, você odeia a família”, contou, refletindo sobre o episódio sofrido na UFRN com pessoas de extrema direita, mesmo grupo que já se viu apoiador.
Crime sem castigo
Na segunda-feira (19), após o protesto, o deputado federal General Girão participou de uma entrevista na rádio Mix FM Natal. Quando perguntado se imaginava que o ato pudesse escalar para a violência, o parlamentar disse que “esperava”. Girão também afirmou que pessoas da equipe dele também foram agredidas, e que “meu pessoal tava todo pacificamente lá”. Além disso, criticou a segurança do campus: “Lamento profundamente e vou entregar um documento ao reitor Daniel [Diniz Melo], de que a ‘polícia’ do campus foi fraca, omissa e talvez até conivente”, disse o parlamentar.
A deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) também esteve no ato e fez falas públicas antes do confronto físico iniciar. Em um vídeo ela lamentou a violência contra estudantes e o dano causado ao boneco inflável de Lula como presidiário: “Não é possível que dentro de uma Universidade Federal estudantes que pensam diferente sejam chamados de fascistas e sejam expulsos de lá. Política não se faz com soco, com violência, muito menos com faca furando o boneco ‘pixuleco’”, falou.
O reitor Daniel Diniz também se manifestou por vídeo, e afirmou que a manifestação foi acompanhada e registrada pela Diretoria de Segurança Patrimonial (DSP), e que a UFRN abriu um processo para apurar o ocorrido. “Encaminharei documentos ao Ministério Público Federal, à Procuradoria Federal e ao Tribunal Regional Eleitoral, narrando os acontecimentos e informando as providências adotadas”, disse o reitor.
Ainda na terça-feira (20) a UFRN emitiu uma nota repudiando a violência ocorrida e afirmou que a atividade com carros de som e fogos de artifício não tinha autorização institucional: “A divergência de ideias, inerente à vida universitária e ao exercício democrático, não pode, sob qualquer circunstância, servir de justificativa para atos de intimidação, ameaças, violência ou desrespeito”, diz a nota.
Com a repercussão do caso pelo país, ainda na segunda-feira (19) a deputada federal reeleita Duda Salabert (Psol/MG), fez uma publicação se solidarizando com os estudantes e disse que acionou o Comitê de Ética da Câmara dos Deputados contra o deputado Girão.
Após o caso, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN) determinou que o deputado Girão e a vereadora Camila Araújo não podem fazer propaganda eleitoral a menos de 200 metros de espaços educacionais em funcionamento, e em caso de descumprimento, cada um deverá pagar multa de R$ 15 mil por ação realizada.
O Artigo 243 do Código Eleitoral também afirma que não será tolerada propaganda que “perturbe o sossego público, com algazarra ou abusos de instrumentos sonoros ou sinais acústicos”. Em vídeos divulgados pelos manifestantes é possível ver um desses carros com a placa coberta por um adesivo da campanha do presidenciável, o que também pode ser considerado crime, segundo a Lei Nº 14.562/2023.
Ao longo da semana, a Pública procurou duas vezes, por e-mail e via assessoria, os parlamentares Girão e Camila Araújo para questionar sobre a participação no protesto. Também procuramos o secretário de Girão, Allison Lobato, por mensagem em diferentes redes sociais. O secretário preferiu não responder e bloqueou a reportagem em uma das redes após as tentativas de comunicação. O espaço segue aberto e será atualizado caso haja manifestação.
Entre o dilema do PS na habitação e o mundo ao contrário no Parlamento, o país anda agitado. Belém chama os partidos e a Defesa avisa: faltam militares para os novos equipamentos.
Paulo Núncio antecipa um recuo de Ventura e pede ao líder do Chega para não se "amedrontar com os arruaceiros e acampados" e critica ainda a presença de "anarcas espanhóis e brasileiros".
No debate sobre o custo de vida, o Governo acusou o BE de apelar à "insurreição" mas o PS garante que "ninguém quer importar" conflitos da Europa. Já Passos Coelho voltou esta semana ao Parlamento.
Os deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) vão realizar, no âmbito do Programa de Auscultação para Habitação, lançado pelo Secretário-Geral do Partido Socialista, de segunda (19) a quarta-feira (21), um conjunto de visitas nos respetivos distritos.
A iniciativa de auscultação nacional pretende reunir, até 24 de outubro, os contributos de diferentes áreas ligadas ao setor, abordando uma ampla reflexão sobre oferta e inovação na construção, arrendamento e fiscalidade, habitação pública, municipal e cooperativa, apoios sociais e as necessidades das gerações mais jovens, com vista a apresentar um plano estratégico para a habitação que responda às necessidades do país.
Importa destacar que o processo combina audições temáticas, visitas técnicas, reflexão técnica e académica, envolvendo cidadãos, autarcas, especialistas, ordens profissionais, parceiros sociais, promotores, cooperativas, empresas do setor, proprietários e inquilinos, bem como outras entidades com intervenção relevante no setor da Habitação.
A programação definida para os distritos de Setúbal, Évora, Beja e Faro, é a que abaixo se publica, de acordo com as datas indicadas.
Distrito de Faro
Segunda-feira, dia 19 de outubro: Pelas 15:00 horas – Visita a 64 fogos (em curso) e ao terreno para construção de 300 fogos (construção de infraestruturas), no concelho de Olhão; às 17:00 horas – Visita à construção de habitação em Loulé.
Terça-feira, dia 20 de outubro: Pelas 10:00 horas – Visita a 104 fogos (7 em Cohousing) – Chesgal e a 24 fogos (Chinicato), concelho de Lagos; às 11h30 – Visita a 208 fogos (em fase inicial de construção) em Coca Maravilhas, concelho de Portimão; pelas 14:30 horas – Visita a 36 fogos em Porches, concelho de Lagoa; e às 15:00 horas – Debate sobre Habitação no Auditório do Convento de São José, em Lagoa.
Distrito de Beja
Segunda-feira dia 19 de outubro: Pelas 10:00 horas – Visita a habitação pública construída no âmbito do PRR em Ourique, tendo como ponto de encontro a Câmara Municipal de Ourique.
Distrito de Évora
Segunda-feira, dia 19 de outubro:
No distrito de Évora, pelas 09:00 horas – Reunião na Câmara Municipal de Arraiolos e visita ao Loteamento Municipal Cruz da Barreta.
Distrito de Setúbal
Segunda-feira dia 19 de outubro: 10:30 horas – Visita à Quinta do Pombal (Caparica, Almada) – 18 fogos já atribuídos em Regime de Renda Apoiada; às 11:00 horas – Visita à obra da Quinta do Facho, na Praça da Quinta do Facho (Caparica, Almada).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final da campanha eleitoral com vitórias no Congresso em uma série de pautas de apelo popular. Entre elas estão o fim da escala de trabalho 6×1, mudanças nas regras para microempreendedores individuais (MEIs), perdão de dívidas e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
As medidas avançaram em diferentes etapas legislativas nesta semana. Na quarta-feira (14), o Senado aprovou, em dois turnos, a proposta que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso remunerado. Na Câmara, os deputados aprovaram mudanças no enquadramento do MEI, incluindo a elevação do limite de faturamento e a remissão de débitos inscritos na Dívida Ativa da União. Já a PEC da Segurança Pública concluiu a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e seguiu para o plenário.
O conjunto de medidas amplia a presença de pautas econômicas e sociais na agenda política a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Fim da escala 6×1 é aprovado pelo Senado
A proposta que extingue a escala tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso foi aprovada pelo Senado por 75 votos favoráveis e um contrário em cada turno. Como o texto é o mesmo aprovado anteriormente pela Câmara, a matéria pode seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.
A PEC prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e a adoção de cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado como regra.
A mudança, porém, não entra em vigor imediatamente. O texto estabelece um período de transição para que empresas e empregadores se adaptem aos novos limites de jornada.
A aprovação representa um avanço para uma das principais pautas trabalhistas em debate no país e ocorre em um momento de disputa política em torno de medidas voltadas aos trabalhadores.
Câmara aprova perdão de dívidas e aumento do teto do MEI
Outra medida avançou na Câmara dos Deputados. Os parlamentares aprovaram, por 461 votos a quatro, um projeto que prevê mudanças nas regras para os microempreendedores individuais.
A proposta eleva o limite de faturamento anual do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O texto também permite a contratação de até dois empregados, desde que sejam respeitadas as condições previstas na proposta.
O projeto inclui a remissão integral de determinadas dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026. A medida poderá beneficiar cerca de 3,6 milhões de microempreendedores com débitos estimados em R$ 12,6 bilhões.
O benefício prevê condições para sua manutenção, entre elas a regularidade dos recolhimentos posteriores à entrada em vigor da futura lei. O texto também estabelece exigências para beneficiários que tenham ações judiciais relacionadas às dívidas.
Apesar da aprovação expressiva na Câmara, a proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado. Portanto, o perdão das dívidas e as mudanças no limite de faturamento não estão integralmente em vigor.
Governo anuncia medidas para aliviar dívidas dos pequenos negócios
Além do projeto aprovado na Câmara, o governo federal anunciou iniciativas para facilitar a renegociação de débitos bancários de microempreendedores.
A proposta inclui a compra de carteiras de dívidas de MEIs pelo governo, com exigência de descontos mínimos de 90% por parte das instituições financeiras participantes. A estimativa oficial identifica aproximadamente R$ 6 bilhões em débitos bancários que poderão entrar nessa operação.
O pacote também prevê medidas para ampliar o acesso dos pequenos empreendedores a recursos para investimento e reduzir exigências burocráticas.
As iniciativas têm alcances e estágios diferentes. Enquanto algumas já avançaram no Congresso, outras dependem de regulamentação, estruturação operacional ou aprovação legislativa para produzir todos os efeitos previstos.
PEC da Segurança Pública avança no Senado
Na área da segurança, a PEC 18/2025 concluiu a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado na quarta-feira (14) e seguiu para análise do plenário.
A proposta busca ampliar a integração entre os órgãos de segurança pública e estabelecer novas diretrizes constitucionais para a atuação da União, dos estados e das forças policiais.
O texto ainda precisa ser votado pelos senadores. Por isso, o avanço na comissão representa uma etapa importante da tramitação, mas não equivale à aprovação definitiva da emenda constitucional.
A segurança pública é um dos temas centrais do debate eleitoral, e a movimentação no Congresso coloca a proposta entre as matérias em discussão na reta final da campanha.
Disputa política em torno das medidas
O avanço das propostas ocorre em um cenário de forte disputa entre governo e oposição. A aprovação de medidas com impacto sobre trabalhadores e pequenos empreendedores dá visibilidade a pautas que afetam diretamente a renda, a jornada de trabalho e a atividade econômica.
Ao mesmo tempo, a proximidade da eleição intensifica o debate sobre o momento em que as propostas foram votadas e sobre seus possíveis efeitos políticos.
No caso da escala 6×1, a aprovação pelo Senado já representa uma decisão legislativa concreta. Para os MEIs, a mudança no teto de faturamento e a remissão de dívidas ainda dependem da conclusão da tramitação do projeto. Na segurança pública, a PEC precisa passar pelo plenário do Senado.
A diferença entre as etapas é central para avaliar o alcance das medidas. O conjunto representa avanços para a agenda defendida pelo governo Lula, mas nem todas as iniciativas anunciadas ou aprovadas parcialmente já se converteram em direitos ou benefícios disponíveis à população.
Um deputado decidiu que a melhor forma de vencer debates é contar os filhos. Rui Borges elogia-se a si mesmo e há quem ache que a receita para as greves esbarra na falta de dinheiro para o Uber.
Enquanto a Lufthansa arremata a TAP, em São Bento multiplicam-se as CPI, acusações e gritos no hemiciclo. Será que os deputados precisam de calmantes ou a democracia funciona mesmo assim?
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14/10) o projeto de lei que aumenta o teto de faturamento anual do MEI (microempreendedor individual) e perdoa cerca de R$ 15 bilhões em dívidas desse grupo. O placar foi de 461 votos a favor e apenas quatro contra. A proposta foi incluída na pauta após acordo da gestão petista com o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). O texto vai ao Senado.
Se virar lei, o limite do MEI passará de cerca de R$ 80 mil por ano para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O governo estima impacto de R$ 8,1 bilhões entre 2027 e 2029. O relator Rubens Pereira Jr. (PT-MA) acatou emenda que ampliou o perdão para incluir também débitos não inscritos na Dívida Ativa da União.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, afirmou que a mudança vai contemplar cerca de R$ 3 bilhões em dívidas, somando-se aos cerca de R$ 12,6 bilhões projetados inicialmente. “Isso foi discutido com o governo hoje, não foi feito sem o conhecimento do governo e a gente avançou para que pudesse haver também esse perdão das dívidas não inscritas. Na prática, isso aumenta o benefício para os empreendedores, permite que mais empreendedores possam se negativar e sair da situação de dívida”, declarou.
Além do reajuste no teto de faturamento do microempreendedor, o projeto aprovado permite que o MEI possa contratar até dois empregados, que devem receber um salário mínimo ou o piso da categoria a qual ele pertence. Hoje, o limite é de apenas um funcionário. O texto também libera a contratação temporária para substituir empregados que estejam afastados.
O texto ainda aumenta o valor mínimo de licitações exclusivas para micro e pequenas empresas, de R$ 80 mil para cerca de R$ 100 mil.
Rubens Pereira Jr. foi escolhido nesta quarta depois de o relator da comissão especial para discutir a proposta, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), rejeitar a posição por não concordar que o teto do Simples Nacional ficasse de fora do texto. Goetten defendia aumentar o teto do Simples de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões.
Em discurso no plenário, Hugo Motta afirmou que a comissão, presidida por Any Ortiz (PP-RS), vai seguir discutindo esse ponto, mas defendeu que o texto com mudanças só em relação aos microempreendedores deveria ser analisado. Mencionou que não há cálculo do impacto de uma mudança no Simples Nacional. “Penso que não é justo segurarmos um reajuste que está pactuado com o governo e tem espaço fiscal para o ano que vem, em detrimento de uma outra demanda”, afirmou.
A discussão no plenário foi iniciada sem um parecer do relator e foi contaminada pelo debate eleitoral. Houve reclamação de deputados de oposição, como Kim Kataguiri (Missão-SP) e Adriana Ventura (Novo-SP), que tentaram retirar o texto da pauta e acusaram a medida de ser populista e eleitoreira. “Essa Casa já dispensou dívida de tanta gente, inclusive dos grandes, e não vejo essa reclamação”, rebateu Rubens Pereira Jr. em seu discurso.
A Câmara dos Deputados abriu concurso público para cargos de analista legislativo, com remuneração de R$ 32.070,88 e jornada de trabalho de 40 horas semanais. O edital prevê 66 vagas imediatas e outras 118 para cadastro de reserva, distribuídas em 11 áreas que exigem formação de nível superior.
Candidatos que atendam aos critérios estabelecidos no edital poderão solicitar isenção da taxa entre 15 e 23 de outubro. O pedido deverá ser feito pelo sistema de inscrição, com o fornecimento das informações e dos documentos exigidos.
As provas objetivas e discursivas estão previstas para 17 de janeiro de 2027, nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal. A seleção terá caráter eliminatório e classificatório. Os aprovados serão lotados exclusivamente em Brasília.
Veja quais são os cargos do concurso da Câmara
O edital contempla 11 áreas de atuação. Todas exigem diploma de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), além de requisitos específicos de formação e registro profissional, quando aplicáveis.
Comunicação Social – Divulgação Institucional: graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda ou Propaganda e Marketing, além de registro profissional.
Comunicação Social – Jornalismo: graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e registro profissional.
Comunicação Social – Relações Públicas: graduação em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas ou Comunicação Organizacional e registro profissional.
Documentação e Informação Legislativa – Arquivologia: graduação em Arquivologia e registro profissional.
Documentação e Informação Legislativa – Biblioteconomia: graduação em Biblioteconomia e registro profissional.
Engenharia Civil: graduação em Engenharia Civil e registro no conselho profissional.
Engenharia Elétrica: graduação em Engenharia Elétrica e registro no conselho profissional.
Engenharia Eletrônica/Telecomunicações: graduação na área correspondente ou em Engenharia correlata, conforme os requisitos do edital, além de registro profissional.
Engenharia Mecânica: graduação em Engenharia Mecânica e registro no conselho profissional.
Museólogo: graduação em Museologia ou outra habilitação admitida pela legislação da profissão, além de registro profissional.
Registro e Redação: graduação em qualquer área de formação.
Como se inscrever no concurso da Câmara
As inscrições deverão ser realizadas pela internet, no sistema disponibilizado pelo Cebraspe. O candidato deve seguir as etapas abaixo:
Acessar o site do Cebraspe e localizar a página do concurso da Câmara dos Deputados.
Preencher o formulário eletrônico de inscrição.
Selecionar o cargo e a área de atuação desejados.
Conferir os dados informados e concluir a solicitação dentro do prazo.
Emitir a Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) disponibilizada pelo sistema.
Efetuar o pagamento da taxa de R$ 130 até 19 de novembro.
Guardar os comprovantes de inscrição e pagamento.
Os candidatos que se enquadrarem nos critérios previstos no edital poderão solicitar a isenção da taxa entre 15 e 23 de outubro. É necessário apresentar as informações e a documentação exigidas para a análise do pedido.
Cronograma do concurso da Câmara dos Deputados
Confira as principais datas previstas no calendário da seleção:
Etapa
Data prevista
Início das inscrições e dos pedidos de isenção
15 de outubro de 2026
Encerramento dos pedidos de isenção
23 de outubro de 2026
Resultado provisório dos pedidos de isenção
De 3 a 5 de novembro de 2026
Resultado final dos pedidos de isenção
12 de novembro de 2026
Encerramento das inscrições
17 de novembro de 2026
Prazo final para pagamento da taxa
19 de novembro de 2026
Divulgação das informações sobre os locais de prova
22 de dezembro de 2026
Aplicação das provas objetivas e discursivas
17 de janeiro de 2027
Divulgação dos gabaritos preliminares
De 19 a 21 de janeiro de 2027
Resultado final das provas objetivas
18 de fevereiro de 2027
Resultado final do concurso
30 de abril de 2027
As datas seguem o cronograma informado no material de referência e devem ser conferidas no edital oficial, que estabelece as regras da seleção.