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“É bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos” aos credores do BES

Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal que cessa esta sexta-feira funções, acredita que é possível que em 2027 já haja condições para começar fazer pagamentos aos credores comuns do BES, ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. Anuncia ainda que há mudanças significativas em curso na lei bancária e diz que o Fundo de Resolução terá condições para pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos no fim deste ano ou início do próximo.

Terminou o mandato a 20 de junho e sai nesta sexta-feira. Passou mais de dez anos na administração do Banco de Portugal (BdP). Que balanço faz do que fez e ficou por fazer?

O balanço essencial é o de ter contribuído para um processo de grande melhoria do Banco. Melhorou o desempenho das missões centrais do Banco de Portugal, mas também a organização, os recursos tecnológicos e as políticas para reter talento. O Banco é hoje uma instituição mais próxima da comunidade a vários níveis, mais ligada à academia e à sociedade, e com um projeto para permitir que mais colaboradores aproveitem as condições das delegações regionais e das agências.

O Banco é liderado por um governador – lidei com três – e tem um conselho de administração que funciona de forma colegial. Somos todos, em alguma medida, responsáveis pelo que de bom ou de menos bom acontece na instituição e a evolução nestes dez anos é bastante positiva. A situação do setor bancário em 2016 era muitíssimo mais negativa. O mérito primordial é das instituições supervisionadas, que limparam balanços, racionalizaram recursos e ajustaram o modelo de negócio. Mas o novo quadro regulatório pós-crise e uma atuação supervisora muito mais efetiva também contribuíram. Os resultados recentes da avaliação do FMI (FSAP) são gratificantes, tanto para o sistema bancário como para a ação do Banco enquanto supervisor, na prevenção do branqueamento de capitais e na gestão de crises, onde se inclui a resolução.

O dossier Novobanco foi a tarefa mais difícil? Não será também uma medalha ver o banco que saiu das cinzas do BES a ser comprado pelo francês BPCE?

Medalha não tenho, porque não fui condecorado [risos]. O mais difícil foi fazer aplicar, com rigor, o acordo de capital contingente, defendendo o interesse público ao longo de todo o processo, em especial na aplicação rigorosa do contrato, e procurando minimizar os pagamentos que tínhamos de fazer ao abrigo do CCA [Mecanismo de Capital Contingente]. Não me lembro de nenhum acordo deste tipo aplicado em Portugal, e isto nem sequer é típico das funções de um banco central. Obrigou a uma minúcia e a um rigor enorme e convocou competências particulares, que foi possível reunir com uma equipa dedicada constituída no departamento de resolução.

O Acordo de Capitalização Contingente teve um impacto público significativo, porque falamos de verbas muito avultadas, assentes nas contribuições das instituições financeiras para o fundo e em empréstimos do Estado e das próprias instituições. Houve muita incompreensão, o que é natural. O escrutínio foi muito exigente, mas acabou por ajudar-nos a cumprir a missão, porque tivemos de verificar ao pormenor o racional das nossas decisões e de como as fundamentávamos. O Estado será reembolsado, e as instituições também.

Os meus mandatos ficam marcados pelas questões da resolução, o que é normal por serem os temas mais mediáticos, mas houve muitas outras coisas. Por exemplo, quando tive o Departamento de Supervisão Comportamental, integrou-se no perímetro da supervisão os intermediários de crédito, vários milhares, o que foi um grande desafio. Significou trazer todo um setor para o perímetro da supervisão.

Compensou ter havido o mecanismo de capital contingente?

Em 2017 não havia modo de encontrar alguém disposto a comprar o Novobanco sem um mecanismo como este. Não foi um apoio direto às perdas de um conjunto de ativos (que aliás se verificou serem bem maiores do que aquilo que foi despendido), era um mecanismo original, no sentido em que estava limitado ao menor de dois valores, entre as perdas desses ativos e o necessário para manter determinados rácios de capital no Novobanco. Sem ele, a venda não existia. O balanço final acaba por ser positivo para o país.

A venda do Novobanco foi um bom negócio para o Fundo de Resolução e para o Estado?

Aderimos [o FdR] a uma venda que a Lone Star promoveu e há pouco balizei o meu contributo no Novobanco como a defesa do interesse público na aplicação do mecanismo de capital contingente [antes da venda ao BPCE] e em todas as fases do processo, incluindo a venda final. Mas é objetivo que o valor obtido ultrapassou as melhores expectativas, o que é muito positivo. E o comprador ser uma grande instituição bancária de um mercado, o francês, que não tinha uma presença extraordinária em Portugal, abre novas possibilidades de interconexão para a economia portuguesa. O desfecho final foi positivo.

Em 10 anos também teve de lidar com um contencioso gigantesco…

Em 2016, os processos contra o Banco de Portugal eram da ordem do milhar. Claro que os processos, por causa do contencioso das medidas de resolução, tiveram um peso importante aqui. Não é normal um banco central ter um contencioso tão extenso, e alguns com ramificações no Tribunal Europeu e noutras ordens jurídicas, como Espanha e Reino Unido. As decisões que fomos tomando foram sendo avaliadas por tribunais, que no fundo é o escrutínio mais imparcial possível…

O Banco de Portugal ganhou os processos?

Todos não, mas quase todos, e sem dúvida os mais importantes: aqueles em que se procurava responsabilizar o Banco por falhas de supervisão e os do contencioso da resolução. Como por exemplo a retransmissão das obrigações do Novobanco para o BES.

Noutro plano, nos processos contraordenacionais, em que tivemos de aplicar sanções com todas as garantias, nos universos BES e Banif, as decisões judiciais confirmaram no essencial as posições do Banco. Se não fosse assim teria sido mais difícil.

A resolução devia ter saído da órbita do Banco de Portugal?

Não acho que esse fosse uma boa solução. A decisão de fazer do Banco de Portugal a autoridade nacional de resolução foi acertada e recentemente até foi estendida às contrapartes centrais. Seria muitíssimo pior lidar com uma instituição nova, sem recursos, quando o Banco tem os recursos humanos e o conhecimento para o fazer.

Quando é que o Fundo de Resolução vai pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos?

Tencionamos pagar no final de 2026 ou início de 2027.

Essa receita decorre da venda do Novobanco?

Também, mas não apenas. Temos ainda os dividendos da Oitante, rendimentos das aplicações dos recursos do fundo e, naturalmente, as contribuições do setor bancário, que se mantém.

Vamos cumprir os contratos e, ao reembolsar capital, deixamos de pagar os juros que teríamos se mantivéssemos a dívida, o que significa um ganho substancial, na ordem das dezenas de milhões de euros.

Os empréstimos não foram contratualizados todos na mesma data nem têm todos as mesmas regras, e alguns passam a pagar juros em 2027. O aspeto central é que temos recursos reunidos para pagar entre 1,7 mil e 1,9 mil milhões, o que melhora a situação líquida do fundo e evita que sejamos onerados com juros. Não é ainda a dívida toda, há muito trabalho a fazer. O Estado será reembolsado e as instituições também.

Qual é o impacto nas contas do fundo da liquidação desses 1,9 mil milhões de euros?

Posso-lhe dizer que a liquidação de 1,9 mil milhões de euros permite uma poupança bruta anual de juros de 67,8 milhões de euros. Em contrapartida, há uma perda de rendibilidade de 42,6 milhões associada à amortização, porque o montante aplicado passa a ser inferior ao atual. A poupança líquida estimada para o Fundo de Resolução é, assim, de 25,2 milhões.

Há bocado perguntou-me o que ficou por fazer, aqui está uma coisa que ficou por fazer, neste domínio da resolução: reembolsar os empréstimos, embora, como já disse, isto não ficou feito, mas ficou bem preparado. Portanto, estamos em condições de o fazer, mas o reembolso não foi ainda efetivado. Até agora só pagámos juros e ainda não começámos a reembolsar capital, o que acontecerá no fim de 2026 e início de 2027.

A segunda coisa que ficou por fazer foi o reembolso aos credores do BES ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. As compensações também ficam por resolver. Já constituímos uma provisão…

Os 630 milhões valor da provisão para cumprir o princípio “no creditor worse off” no BES é uma estimativa realista e quando será pago aos credores?

Constituímos essa provisão sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de haver este pagamento, porque é um pilar essencial da legalidade da resolução. Quando um credor recebe menos na resolução do que teria recebido numa liquidação, tem de ser compensado. Uma avaliação independente estimou que os credores comuns receberiam 31,7% do seu crédito se o BES tivesse ido para liquidação em agosto de 2014.

Teoricamente teria de se esperar pelo fim da liquidação do BES, mas houve um movimento por parte dos credores no sentido de que, sendo já reconhecido como privilegiado (o crédito do Fundo de Resolução), podem estar reunidos os pressupostos para que a compensação se exerça. Na provisão usámos um critério de prudência, que não quer dizer que seja o valor final, pode ser menos. Mas as contas têm de ter total transparência, e para isso era fundamental que, ao registar a receita decorrente da venda do Novobanco, também se constituísse essa provisão.

O pagamento está sujeito a requisitos que têm de ser verificados em concreto para cada crédito. A única garantia é que receberão, sem dúvida, aqueles que em que se verificarem todos os requisitos previstos na lei.

O que sucederá no momento em que a autoridade de resolução entender que estão verificados todos os pressupostos. Isto é, que sejam reconhecidos como credores comuns e que esteja fixado o montante. Terá de haver um procedimento regulamentar. Fizemos uma consulta pública e acabámos de receber as respostas.

Portanto não darei uma data específica, mas é bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos a alguns. Isto é uma decisão tomada credor a credor, e cada um vai cumprindo os requisitos recebe.

Impulsionou um Código da Atividade Bancária que não saiu da gaveta. Qual era a sua importância?

O atual RGICSF é de 1992 e tem centenas de alterações: é uma manta de retalhos, quase indecifrável em alguns aspetos. O CAB era uma verdadeira reforma da legislação do setor financeiro. O trabalho começou em 2019, com a ideia de revogar o RGICSF e substituir por esse código. Politicamente não foi possível, houve dissoluções do parlamento, mudanças de Governo e o Código tinha de passar pela Assembleia da República.

Mas nem tudo se perdeu. No contexto da transposição da CRD VI há elementos importantes que estavam previstos no CAB e que poderão manter-se no novo RGICSF, como a organização do diploma, o sentido codificador, a sequência das normas e o regime da tramitação eletrónica dos processos contraordenacionais. Há aspetos, quer de forma, quer de substância, que irão agora integrar o novo RGICSF. Portanto, não será um novo código, mas será um novo RGICSF.

A união bancária é essencial para remover obstáculos às fusões transfronteiriças. A concentração bancária deve ser promovida?

As fusões transfronteiriças têm toda a gente a favor, exceto quando lhes toca a eles… Portugal é até um bom exemplo. A venda do Novobanco ao BPCE foi uma operação transfronteiriça e correu bem. Acho que a concentração bancária não se pode fazer por decreto. Percebo que os bancos europeus tenham de ser grandes à escala da União e à escala mundial, e a dimensão conta para ser mais competitivo, mas tem de nascer do mercado, das sinergias que as instituições encontrem entre si. Não deve ser uma política de cima para baixo, até porque temos de salvaguardar a concorrência, hoje a uma escala mais ampla do que a dos mercados nacionais. Para isso existem a Comissão Europeia e as autoridades nacionais de concorrência.

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Euribor cede mas prestação da casa volta a subir em novembro


As taxas Euribor cederam ligeiramente em outubro. Ainda assim, não será o suficiente para fazer a prestação da casa cair. Os encargos com o crédito à habitação vão voltar a subir no próximo mês. Os aumentos devem chegar aos 90 euros para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos.

As famílias estão a ser pressionadas com o aumento do custo de vida praticamente desde o início do ano. A taxa de inflação avançou para os 3,6% em setembro, com os preços a serem fortemente impulsionados pela energia e pela guerra sem fim à vista no Irão. Mas, além da subida dos preços dos bens que consumimos no dia-a-dia, outro fator tem condicionado cada vez mais o orçamento familiar: a casa.

Outubro trouxe uma relativa estabilização das Euribor, depois da forte subida registada em setembro. A média mensal destas taxas interbancárias desceu mesmo a três e 12 meses – no prazo mais curto marcou-se inclusivamente primeira descida desde janeiro, antes do conflito no Médio Oriente.

Boas notícias para quem tem crédito da casa? Sim. Mas os contratos cujas condições forem revistas em novembro ainda vão sofrer agravamentos nas prestações por conta da evolução das Euribor nos últimos meses e, essas sim, acumulam subidas face à última vez que os contratos foram atualizados.

Vamos às contas. Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%:

  • Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá 17,39 euros (2,6%) para mais de 684,7 euros;
  • Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 713,9 euros, uma subida de 44,17 euros em relação à prestação que pagava desde maio;
  • Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses ascenderá a 736,6 euros, mais 89 euros face à prestação que pagou no último ano.

Para o ajudar a calcular a prestação do seu crédito à habitação, o ECO preparou um simulador. Faça as contas para o seu caso.

Tenho um crédito à habitação no valor de euros, contratualizado por um prazo de anos, indexado à Euribor a 12 meses (que há um ano estava nos % ), com um spread de %. A prestação da casa que pago atualmente é de 308 euros, mas caso a Euribor a 12 meses passe para %, a prestação passa para 432 euros. (Mude os campos sublinhados para descobrir os números mais próximos da sua previsão.)

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.

As Euribor acompanham as expectativas dos mercados relativamente às taxas oficiais do Banco Central Europeu (BCE) que, esta quinta-feira decidiu, sem surpresas, fez uma pausa. Os investidores estão a antecipar que o final do ano traga mais uma subida, com a taxa de depósito a chegar a 31 de dezembro nos 2,75%.

E já há apostas para a evolução da política monetária do BCE no arranque do próximo ano: a reunião de março, que já não contará com Christine Lagarde no comando do “navio”, deverá voltar a agravar os juros em 25 pontos base.

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Como baixar a prestação do crédito à habitação mesmo com os juros a subir


Há margem para pagar menos ao banco todos os meses, mesmo com as taxas de juro a subir. Basta mexer em quatro ou cinco pontos do contrato do crédito à habitação e conseguir poupar dezenas de euros por mês sem mudar de casa nem de banco.

A conversa com o banco ganha hoje particular urgência. Na quinta-feira, a Euribor a 12 meses subiu para 3,308%, mais de um ponto acima dos 2,175% de há um ano. Num crédito…

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CaixaBank gana 4.962 millones hasta septiembre, un 12,9% más

Imagen de una oficina de CaixaBank en Santiago de Compostela.

CaixaBank ronda un nuevo máximo de beneficios anual en este ejercicio. El banco ha ganado entre enero y septiembre de 2026 un total de 4.962 millones, un 12,9% más que en el mismo periodo del ejercicio anterior. La cifra en solo nueve meses prácticamente iguala a las ganancias de todo 2025, cuando se llegó a 5.891 millones.

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BdP. PS pede explicações sobre nova sede

Deputado Carlos Pereira diz que nova solução — uma só torre por 225 milhões — "custa mais por metro quadrado" e exige explicações ao governador há três meses em falta.

© MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

"O Governador do Banco de Portugal foi muito célebre a fazer acusações ao anterior Governador e está há 3 meses para responder à Assembleia da República", afirma o deputado do PS
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Comissão liquidatária do BPP avança com primeiro pagamento a credores comuns

A comissão liquidatária do Banco Privado Português (BPP) avançou esta semana com o primeiro pagamento parcial a credores comuns, disse à Lusa o presidente, acrescentando que na terça-feira deu uma ordem para pagar quatro milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, o presidente da comissão liquidatária do BPP, Manuel Mendes Paulo, disse que deu na terça-feira ordem aos serviços para pagamento a 200 credores comuns, no total de cerca de quatro milhões de euros, e que ainda esta semana será dada nova ordem de pagamento a mais 200 credores, no total de sete milhões de euros.

Recentemente, a comissão liquidatária do BPP anunciou que ia avançar com o pagamento de cerca de 80 milhões de euros aos credores comuns, correspondendo a cerca de 8,4% do total dos créditos reconhecidos a quase 5.600 credores (pessoas ou entidades) do banco que faliu há 16 anos.

Contudo, havia uma pendência em tribunal que fez atrasar o pagamento mas que ficou resolvida, permitindo que sejam efetuados os pagamentos.

Apesar dos 5.600 credores comuns reconhecidos, Mendes Paulo explicou que, por ordem do tribunal, só são pagos valores acima de 50 euros. Como o valor a pagar agora é de apenas 8,4% do crédito reconhecido, só têm direito a receber credores com crédito reconhecido mínimo de 600 euros. Nestas condições estão cerca de 4.000 credores.

Para proceder aos pagamentos, a comissão liquidatária enviou cartas a todos esses credores comuns a pedir para remeterem a documentação devida para poder ser validada. Dessas cartas, foram recebidas quase 3.000 respostas.

Segundo afirmou Mendes Paulo, atualmente há mais de 2.000 credores cujos processos estão completos ou a ser completados e cujo primeiro pagamento está já a acontecer ou vai acontecer nas próximas semanas.

“Processos completos são 2.200 ou 2.300. À medida que os processamento decorrer e estiver tudo ‘ok’ vão ser pagos em função da data em que foi completado o processo documental. Quem completa primeiro, recebe primeiro”, disse em entrevista à Lusa.

Questionado sobre o que acontece a quem não tiver respondido ou não tenha recebido a carta (houve centenas de devoluções por morada desatualizada, o que pode estar relacionado com processos de herança), Mendes Paulo afirmou que a qualquer momento o credor comum pode entregar a documentação junto da comissão liquidatária e assim que tiver validada receber o dinheiro que lhe é devido, sem prazos até ao fim do processo de liquidação.

Os credores comuns do BPP têm, no total, a receber 944 milhões de euros. Contudo, é sabido que o valor a receber ficará muito abaixo uma vez que o património do BPP não é suficiente (o ‘buraco’ do BPP era perto de 1.000 milhões de euros) e há credores que passam à frente (garantidos e privilegiados).

Aliás, os credores comuns estão agora a ser pagos pois já foi integralmente devolvido ao Estado português os 450 milhões de euros referente ao crédito garantido.

Os principais credores comuns do BPP são quatro: o Fundo de Garantia de Depósitos (teria a receber no total 100 milhões de euros), o Sistema de Indemnização aos Investidores (85 milhões de euros), a Liminorke (o maior credor privado, 53 milhões de euros a haver) e o Estado português (23 milhões de euros).

Estes credores, como os restantes com documentação validada (até agora mais de 2.000), receberão neste primeiro pagamento parcial 8,4% do crédito reconhecido.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, começou com a crise financeira de 2008 e culminou em 2010.

Apesar da pequena dimensão do banco, a falência do BPP lesou milhares de clientes e o Estado, tendo ainda tido importantes repercussões devido a potenciais efeitos de contágio ao restante sistema quando se vivia uma crise financeira.

Deu-se então início ao processo de liquidação, que dura há 16 anos e ainda decorre.

 

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BCE trava novas subidas e mantém a taxa de depósitos nos 2,5%

Juro diretor fica nos 2,5% apesar da inflação alta, para já. A subida de preços na zona euro está no nível mais alto em três anos. O BCE prescinde, para já, de voltar a subir os juros. Mas esse passo pode vir a seguir em breve. Depois do banco central dos Estados Unidos, também o Banco Central Europeu (BCE) prescinde, para já, de uma nova subida dos juros. O BCE decidiu na quinta-feira manter nos 2,5% a taxa de depósito dos bancos, que é a referência para os juros da poupança e do crédito. A nova subida dos preços da

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PS pede explicações ao governador do Banco de Portugal sobre nova sede e acusa-o de opacidade

✇ECO
By: Lusa

O PS pediu esta quinta-feira explicações ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede, considerando que está solução “é pior, opaca, sem informação e não rigorosa”.

O Banco de Portugal (BdP) informou esta quinta-feira que alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Entrecampos, Lisboa, para ficar apenas com um edifício, em vez de dois, apontando uma redução do investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões.

“Passámos da transparência [de Mário Centeno] para a opacidade. O que o governador do Banco de Portugal apresentou hoje é um comunicado em que nós não conhecemos os projetos, as negociações, se houve auditoria àqueles projetos, para perceber se os projetos estavam todos adequados e salvaguardavam o interesse do Banco de Portugal, o interesse público”, criticou, em declarações aos jornalistas, o deputado do PS, Carlos Pereira.

Na perspetiva do socialista, esta solução “é pior” e, “mais grave do que isso, é opaca, não tem informação, não é transparente, não é rigorosa sequer”. “E isso preocupa-nos significativamente. E quero também dizer que é muito importante perceber o que pensa o Conselho de Administração sobre esta matéria”, disse ainda.

Carlos Pereira referiu que o Conselho de Administração é o mesmo e, quando o antigo governador Mário Centeno apresentou a sua solução, “havia um consenso” entre os administradores. “Ora, estamos a falar de uma solução completamente diferente, que custa mais por metro quadrado, que não reúne todos os serviços do mesmo espaço e é preciso perceber o que pensa, de facto, o Conselho de Administração”, defendeu.

Considerando que Álvaro Santos Pereira “terá que explicar tudo isto nos próximos tempos”, o deputado do PS disse que o partido admite vir a pedir uma audição parlamentar caso estas explicações não surjam até ao final do processo orçamental, período durante o qual outros trabalhos no Parlamento estão suspensos.

“O Governador do Banco de Portugal foi muito célebre a fazer acusações ao anterior Governador e está há três meses para responder à Assembleia da República a um pedido que foi feito pelo Grupo Parlamentar do PS a 11 de julho“, criticou, exigindo que toda essa documentação seja enviada.

Para Carlos Pereira, o comunicado desta quinta-feira “é quase uma manhosice” porque “conclui que aquela obra fica 35 milhões de euros mais barata”, o que diz ser “outra mentira”.

“Tínhamos uma sede com 27 mil metros quadrados e agora uma sede com menos cinco mil metros quadrados. Estamos a comprar por metro quadrado um valor bastante superior. Se fizermos uma comparação ao preço que Mário Centeno queria comprar a sede anterior com a dimensão que Álvaro Santos Pereira quer comprar esta, estamos a falar de mais cinco milhões de euros”, comparou.

O deputado do PS começou a conferência de imprensa com uma provocação, remetendo para um episódio do tempo em que Álvaro Santos Pereira era ministro da Economia: “O Banco de Portugal não é propriamente uma loja de pastéis de nata”.

Segundo o comunicado, a alteração ao contrato foi assinada esta semana entre o BdP e a Fidelidade, promotora da construção das futuras instalações, através de um aditamento ao contrato-promessa de compra e venda celebrado em 2025.

Com a mudança, o valor da compra do edifício baixa de 191,99 milhões de euros para 165,09 milhões e o montante global do investimento estimado, que inclui o mobiliário e capacitação técnica para o espaço entrar em funcionamento, será de 225 milhões de euros, menos 35 milhões do que o projetado na versão inicial (260 milhões de euros).

O contrato promessa inicial previa a compra de dois edifícios separados, unidos por um túnel (os chamados edifícios A3 e A2). A alteração ao contrato prevê uma troca de edifícios, para uma única torre do mesmo empreendimento (o edifício A1), estando previsto um auditório localizado separadamente, no edifício A3.

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BPP: primeiros pagamentos a credores comuns

Comissão liquidatária ordenou pagamentos a 400 credores em dois momentos. No total, 80 milhões serão distribuídos, equivalendo a 8,4% dos créditos reconhecidos.

© ESTELA SILVA/LUSA

Recentemente, a comissão liquidatária do BPP anunciou que ia avançar com o pagamento de cerca de 80 milhões de euros aos credores comuns, correspondendo a cerca de 8,4% do total dos créditos reconhecidos
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Von der Leyen agradece a Lagarde por reforçar o euro

A presidente da Comissão Europeia e o líder do Eurogrupo reagiram ao anúncio da saída antecipada de Christine Lagarde do BCE, prevista para fevereiro de 2027.

© OLIVIER MATTHYS/EPA

"O mundo precisa de mais líderes como a Christine. E espero que muitas mais mulheres sigam as suas pisadas", afirma Von der Leyen
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Comissão liquidatária do BPP avança com primeiro pagamento a credores comuns

✇ECO
By: Lusa

A comissão liquidatária do Banco Privado Português (BPP) avançou esta semana com o primeiro pagamento parcial a credores comuns, disse à Lusa o presidente, acrescentando que na terça-feira deu uma ordem para pagar quatro milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, o presidente da comissão liquidatária do BPP, Manuel Mendes Paulo, disse que deu na terça-feira ordem aos serviços para pagamento a 200 credores comuns, no total de cerca de quatro milhões de euros, e que ainda esta semana será dada nova ordem de pagamento a mais 200 credores, no total de sete milhões de euros.

Recentemente, a comissão liquidatária do BPP anunciou que ia avançar com o pagamento de cerca de 80 milhões de euros aos credores comuns, correspondendo a cerca de 8,4% do total dos créditos reconhecidos a quase 5.600 credores (pessoas ou entidades) do banco que faliu há 16 anos.

Contudo, havia uma pendência em tribunal que fez atrasar o pagamento mas que ficou resolvida, permitindo que sejam efetuados os pagamentos.

Apesar dos 5.600 credores comuns reconhecidos, Mendes Paulo explicou que, por ordem do tribunal, só são pagos valores acima de 50 euros. Como o valor a pagar agora é de apenas 8,4% do crédito reconhecido, só têm direito a receber credores com crédito reconhecido mínimo de 600 euros. Nestas condições estão cerca de 4.000 credores.

Para proceder aos pagamentos, a comissão liquidatária enviou cartas a todos esses credores comuns a pedir para remeterem a documentação devida para poder ser validada. Dessas cartas, foram recebidas quase 3.000 respostas.

Segundo afirmou Mendes Paulo, atualmente há mais de 2.000 credores cujos processos estão completos ou a ser completados e cujo primeiro pagamento está já a acontecer ou vai acontecer nas próximas semanas.

“Processos completos são 2.200 ou 2.300. À medida que os processamento decorrer e estiver tudo ‘ok’ vão ser pagos em função da data em que foi completado o processo documental. Quem completa primeiro, recebe primeiro”, disse em entrevista à Lusa.

Questionado sobre o que acontece a quem não tiver respondido ou não tenha recebido a carta (houve centenas de devoluções por morada desatualizada, o que pode estar relacionado com processos de herança), Mendes Paulo afirmou que a qualquer momento o credor comum pode entregar a documentação junto da comissão liquidatária e assim que tiver validada receber o dinheiro que lhe é devido, sem prazos até ao fim do processo de liquidação.

Os credores comuns do BPP têm, no total, a receber 944 milhões de euros. Contudo, é sabido que o valor a receber ficará muito abaixo uma vez que o património do BPP não é suficiente (o ‘buraco’ do BPP era perto de 1.000 milhões de euros) e há credores que passam à frente (garantidos e privilegiados).

Aliás, os credores comuns estão agora a ser pagos pois já foi integralmente devolvido ao Estado português os 450 milhões de euros referente ao crédito garantido.

Os principais credores comuns do BPP são quatro: o Fundo de Garantia de Depósitos (teria a receber no total 100 milhões de euros), o Sistema de Indemnização aos Investidores (85 milhões de euros), a Liminorke (o maior credor privado, 53 milhões de euros a haver) e o Estado português (23 milhões de euros).

Estes credores, como os restantes com documentação validada (até agora mais de 2.000), receberão neste primeiro pagamento parcial 8,4% do crédito reconhecido.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, começou com a crise financeira de 2008 e culminou em 2010.

Apesar da pequena dimensão do banco, a falência do BPP lesou milhares de clientes e o Estado, tendo ainda tido importantes repercussões devido a potenciais efeitos de contágio ao restante sistema quando se vivia uma crise financeira.

Deu-se então início ao processo de liquidação, que dura há 16 anos e ainda decorre.

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Sabadell gana un 1% menos en los primeros nueve meses y anuncia un dividendo de 325 millones

Sede corporativa del Banco de Sabadell en San Cugat del Vallés (Barcelona).

El Banco Sabadell logró un beneficio neto de 1.376 millones de euros en los nueve primeros meses del año, un 1% menos que el mismo período del ejercicio anterior. El beneficio neto recurrente fue de 405 millones de euros en el tercer trimestre, lo que supone un 13% más.

Los ingresos del negocio bancario crecieron un 2,4% en el trimestre gracias al fuerte dinamismo de la actividad comercial. La mejora ha contribuido a que la rentabilidad RoTE recurrente se incremente desde el 13,6% de junio hasta el 14,2%.

La entidad defiende que "la pujanza del negocio, la contención de los gastos y la elevada calidad de los activos seguirán elevando dicha rentabilidad en los próximos trimestres, hasta alcanzar los objetivos previstos del 14,5% al cierre de 2026 y el 16% en 2027".

Asimismo, el banco ha anunciado su segunda remuneración al accionista con cargo a los resultados del ejercicio 2026. La entidad abonará un dividendo a cuenta en efectivo de 7 céntimos por acción el próximo 29 de diciembre, lo que supondrá el reparto de 325 millones de euros.

El pago es adicional al programa de recompra de acciones por importe de 331 millones de euros que inició en julio, del que aún quedan 57 millones por ejecutar (un 17% del total). Además, se produce tras el abono en mayo de un dividendo extraordinario de 50 céntimos en efectivo por acción tras la venta de TSB.

"Demostramos una vez más nuestra capacidad para hacer crecer de forma sostenible el negocio, mientras mejoramos los ingresos y contenemos los costes", ha dicho el consejero delegado de Banco Sabadell, Marc Armengol. "En un entorno exigente, la fortaleza del proyecto del banco nos permite seguir creando valor para nuestros clientes y accionistas, al tiempo que progresamos en la transformación de la entidad", ha señalado.

El crédito vivo en hipotecas registra una evolución positiva. Aumenta hasta los 40.716 millones de euros (+3,5% interanual), con un crecimiento de la nueva producción del 5% frente al trimestre anterior. El crédito al consumo se ha situado en 5.880 millones de euros (+12,7% interanual), con una nueva producción que se incrementa trimestralmente el 13%.

Por su parte, los recursos de clientes, que experimentan un incremento interanual del 5,6% en el Grupo, hasta los 189.449 millones de euros. Sin contar con TSB, Sabadell ha obtenido unos ingresos del negocio bancario (margen de intereses más comisiones) de 3.677 millones de euros entre enero y septiembre.

Los costes totales se situaron en 1.797 millones de euros entre enero y septiembre e incorporan 88 millones de euros no recurrentes derivados del plan de prejubilaciones puesto en marcha en España.

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Lagarde avisa países endividados: “Taxas estão mais altas e é provável que assim continuem”


“O BCE está numa posição forte o bastante para esperar por mais dados.” Foi com esta frase que Christine Lagarde justificou, na conferência de imprensa desta quinta-feira, a decisão de manter as taxas de juro inalteradas, no mesmo dia em que anunciou que deixa a presidência do banco central em fevereiro. A taxa de depósito fica em 2,50%, a das operações principais de refinanciamento em 2,65% e a da facilidade de cedência de liquidez em 2,90%, segundo o comunicado do Conselho do BCE.

A presidente do banco central da moeda única revelou que a hipótese de subir os juros esteve em cima da mesa, notando que “o Conselho de Governadores discutiu se um aumento seria adequado”, mas “considerou, por unanimidade, que o BCE está bem posicionado” em matéria de nível de taxas de juro e que “a abordagem comedida continua a ser adequada neste momento”.

Lagarde voltou a repetir a mensagem do comunicado do BCE, notando que as decisões serão tomadas reunião a reunião, em função dos dados, sem compromisso prévio com uma trajetória das taxas, indicando, porém, que “é provável que o BCE desenvolva cenários em dezembro”.

A maioria dos indicadores de expectativas de inflação a longo prazo está próxima de 2%.

Christine Lagarde

Presidente do BCE

O peso da energia explica a discussão do resultado da decisão desta última reunião dos governadores. “Os preços da energia subiram acima do cenário de base” e “o impacto indireto da escalada dos preços da energia intensificou-se”, afirmou Lagarde, que avisou que “os riscos para a inflação são em alta” e que “as fases iniciais da cadeia de preços apontam para pressão ascendente”.

Ainda assim, disse que “não há sinais de efeitos de segunda ordem, além das projeções”, que “a inflação subjacente manteve-se, em grande medida, estável” e que “a maioria dos indicadores de expectativas de inflação a longo prazo está próxima de 2%”. Lagarde vaticinou ainda que “a descida subsequente da inflação da energia deverá reduzir a inflação total”.

Nos salários, a presidente do BCE referiu que “o indicador de salários mostra um crescimento de 2,5% a 2,8% nos meses que restam de 2026” e “as pressões salariais mantêm-se moderadas”.

Os países com dívida elevada têm de ter em conta, nos planos de política orçamental, que as taxas de juro estão mais altas e é provável que assim continuem.

Christine Lagarde

Presidente do BCE

Os mercados de dívida foram o outro tema forte da conferência de imprensa, com Lagarde a notar que “a parte longa da curva subiu a nível global”, explicando que o foco está “nas obrigações a 10 anos e em toda a curva”. Lagarde apontou também um fator menos habitual, ao sublinhar que “a emissão de dívida pelos hiperescaladores desempenha um papel na subida das yields“. Segundo as suas palavras, “o custo do financiamento a longo prazo subiu desde setembro” e “as condições financeiras tornaram-se mais restritivas desde a última reunião”.

Daqui decorre o aviso aos governos por parte de Lagarde: “Os países com dívida elevada têm de ter em conta, nos planos de política orçamental, que as taxas de juro estão mais altas e é provável que assim continuem”, afirmou.

A presidente do BCE defendeu também que “as medidas orçamentais devem ser temporárias, focadas e à medida” e que “a estabilidade orçamental é uma âncora crucial”, e alertou ainda que “a incerteza orçamental pode apertar ainda mais as condições financeiras” e que “uma deterioração do sentimento do mercado pode apertar as condições de financiamento e travar a procura”.

Para a atividade económica, o diagnóstico é de risco em baixa, com sinais de resistência. “Os riscos para o crescimento apontam em baixa” e “uma nova subida dos preços da energia penaliza a confiança dos consumidores”, disse Lagarde.

Por outro lado, “os dados mais recentes sugerem que a economia se está a expandir no terceiro trimestre”, “o crescimento deverá manter-se apoiado no curto prazo” e “espera-se que as exportações acelerem com apoio”. Para a presidente do BCE, “o investimento em inteligência artificial e a despesa pública têm de reforçar o crescimento”.

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Mais de 40% dos portugueses continuam a poupar menos do que antes e mais jovens poupam mais

Mais de quatro em cada dez portugueses com conta bancária continuam a poupar menos do que anteriormente, apesar de se registarem sinais de melhoria face ao ano anterior, segundo dados do estudo Basef Banca da Marktest divulgados por ocasião do Dia Mundial da Poupança, assinalado a 31 de outubro.

De acordo com o estudo, 41,4% dos portugueses bancarizados afirmavam, no final de 2025, estar a poupar menos do que antes. Apesar de continuar a ser o grupo mais representativo, este indicador melhorou em relação a 2024, quando 45,7% dos inquiridos reportavam uma redução da capacidade de poupança.

Em sentido contrário, aumentou a percentagem de portugueses que conseguiram reforçar as suas poupanças. Em 2025, 19,5% dos inquiridos afirmavam poupar mais do que anteriormente, acima dos 17,6% registados no ano precedente.

Os restantes participantes dividiam-se entre aqueles que mantiveram o mesmo nível de poupança, representando 31,5% da amostra, e os que não souberam ou preferiram não responder à questão, correspondente a 7,6%.

A análise por faixas etárias evidencia diferenças significativas nos hábitos de poupança. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos com conta bancária, 34,9% afirmavam estar a poupar mais do que antes, tornando este o grupo com maior propensão para reforçar as poupanças.

No extremo oposto encontram-se os portugueses com mais de 64 anos, entre os quais apenas 13,3% disseram conseguir aumentar o montante poupado.

Segundo a Marktest, estes resultados sugerem que os consumidores mais jovens demonstram uma maior predisposição ou capacidade para reforçar as suas poupanças, contrastando com as gerações mais velhas, que continuam a enfrentar maiores dificuldades para aumentar o aforro.

Os dados resultam do estudo Basef Banca, uma análise regular da Marktest que acompanha os comportamentos financeiros e a relação dos portugueses com o sistema bancário.

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DBRS destaca “fortes” resultados do BCP e antecipa lucro em 2026 acima do de 2025

A Morningstar DBRS considerou que o BCP apresentou um “conjunto forte de resultados” no terceiro trimestre e nos primeiros nove meses de 2026, com o lucro líquido consolidado a subir 12,6% em termos homólogos, para 873,7 milhões de euros. A agência prevê que o resultado de 2026 fique “confortavelmente” acima do de 2025 e que continue a melhorar em 2027.

Segundo a análise da vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da DBRS, Maria Parra, o terceiro trimestre foi o melhor período do ano até agora, ajudado pela aceleração da margem financeira e por encargos mais leves em outros resultados operacionais, depois de as contribuições obrigatórias terem penalizado o primeiro semestre.

“O BCP reportou um conjunto forte de resultados no 3.º trimestre e nos primeiros nove meses de 2026. O lucro líquido subiu 12,6% em termos homólogos, e o 3.º trimestre foi o melhor trimestre do ano até agora”, escreve Maria Parra, vice-presidente das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS, no comentário sobre os resultados.

A atividade doméstica “voltou a impulsionar o crescimento dos lucros”, enquanto a redução dos encargos com risco legal associado às hipotecas em francos suíços na Polónia “continuou a elevar a contribuição das operações internacionais”.

Em Portugal, o lucro cresceu 11,2% para 727,9 milhões de euros, sustentado por uma margem financeira que avançou 13,9% em termos homólogos apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente nas hipotecas, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

Em Portugal, o lucro aumentou 11,2% em termos homólogos, com a margem financeira a crescer 13,9%, “apoiada por um saudável crescimento do crédito, particularmente no crédito à habitação, depósitos mais baratos e uma maior contribuição da carteira de dívida soberana”, segundo a analista.

As comissões também aumentaram, com destaque para o bancassurance e a gestão de ativos. Embora os custos tenham subido com o investimento em tecnologia, as receitas cresceram mais depressa, levando o rácio de eficiência em Portugal para abaixo de 33%, enquanto o custo do risco se manteve contido.

Polónia compensa margens mais baixas

Ao nível do grupo, o crescimento da margem financeira foi parcialmente travado pela redução das margens na Polónia, na sequência dos cortes de juros do banco central. Ainda assim, “o Bank Millennium registou uma forte subida do lucro, em grande parte porque os encargos relacionados com francos suíços caíram substancialmente”.

A agência sublinha, no entanto, que o resultado polaco foi penalizado por “uma taxa de imposto bancário mais elevada e novas provisões para litígios de proteção do consumidor”. Moçambique “contribuiu menos, num contexto local difícil”.

Já a qualidade dos ativos “continuou a melhorar, com o stock de crédito não produtivo a cair 9,8% em termos homólogos, principalmente através de vendas de carteiras e amortizações”, afirma a DBRS, que considera que “a capitalização permanece robusta”.

A DBRS espera que a margem financeira em Portugal continue a crescer, apoiada pela expansão do crédito, por uma balança bem coberta e pela subida das taxas Euribor após o mais recente aumento de juros do BCE. Prevê ainda crescimento moderado das comissões e um custo do risco contido.

Na Polónia, a redução continuada dos encargos ligados aos créditos em francos suíços deverá compensar a normalização gradual do custo do risco, à medida que o banco expande o crédito empresarial.

“De um modo geral, vemos o BCP bem posicionado para cumprir o seu plano estratégico 2025-2028”, conclui a analista, destacando que o banco estima agora um retorno sobre capital próprio de “pelo menos 17,5% em 2028, muito acima da meta original de mais de 13,5%”.

Como riscos principais, a agência aponta um choque geopolítico que afete a atividade económica e a capacidade de pagamento dos clientes através de preços de energia e juros mais elevados, nova volatilidade nos mercados de dívida soberana europeia e o risco de litígios contínuo na Polónia.

 

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Von der Leyen agradece a Lagarde por ter “reforçado a soberania” da UE e do euro

A presidente da Comissão Europeia agradeceu hoje à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, pelo trabalho que desenvolveu nos últimos sete anos, considerando que “reforçou a soberania económica” da UE e o papel internacional do euro.

“Da pandemia à guerra de agressão da Rússia, a sua firmeza e determinação ajudaram a manter a nossa economia estável e resiliente”, elogia Ursula von der Leyen numa publicação divulgada nas redes sociais, depois de ter sido anunciado que Christine Lagarde vai deixar a presidência do Banco Central Europeu (BCE) em 07 de fevereiro.

Von der Leyen salienta que, enquanto presidente do BCE, Lagarde “defendeu o aprofundamento da integração financeira na Europa” e personificou a nível internacional “aquilo de que qualquer moeda precisa: confiança e autoridade”.

“Foi assim que reforçou a soberania económica da Europa e consolidou o papel internacional do euro, algo que foi tão importante para si. O mundo precisa de mais líderes como a Christine. E espero que muitas mais mulheres sigam as suas pisadas”, afirma.

Por sua vez, em comunicado, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, agradece a Christine Lagarde pelo seu “contributo notável para a estabilidade da zona euro e pela sua liderança” num período de “grandes desafios económicos”.

O presidente do Eurogrupo salienta que o euro é um “marco no processo de integração europeia e um dos seus elementos mais tangíveis e valiosos”.

“O mandato de Christine Lagarde à frente do BCE veio reforçar ainda mais a confiança na moeda única europeia”, afirma.

Pierrakakis acrescenta que o Eurogrupo vai agora “agir rapidamente para preparar a recomendação do Conselho da UE ao Conselho Europeu sobre a nomeação”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, pediu hoje para cessar funções em 07 de fevereiro, anunciou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que indicou que vai iniciar o processo de sucessão imediatamente.

Num vídeo divulgado nas redes sociais, Christine Lagarde afirma ter sido “um enorme orgulho e um imenso privilégio” servir o BCE, agradecendo a todos os que “contribuíram, apoiaram e trabalharam para cumprir” a missão da instituição de assegurar “a estabilidade dos preços e financeira”.

“Penso que deixo esta instituição com a sensação de dever cumprido e com um BCE preparado para o futuro”, considera.

Christine Lagarde é presidente do Banco Central Europeu desde novembro de 2019. O seu atual mandato terminava em outubro de 2027.

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