“A bomba da gasolina é fatal para os Governos”, diz Manuel Castro Almeida
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, atribui os maus resultados do PSD nas sondagens ao impacto da inflação no poder de compra das famílias, defendendo que a perceção dos portugueses sobre a situação económica é mais negativa do que os indicadores mostram.
Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o governante recorreu a uma imagem para explicar o fenómeno: “A bomba da gasolina é fatal para os Governos”. Segundo o ministro, os portugueses são particularmente sensíveis aos efeitos da subida dos preços e, ultrapassada essa fase, acredita que os sociais-democratas poderão recuperar apoio nas sondagens.
Castro Almeida rejeitou ainda a ideia de desgaste do Executivo e sustentou que o Governo mantém condições para concluir a legislatura. “Este Governo só cairá quando PS e Chega, ao mesmo tempo, acharem que podem ganhar”, afirmou.
Na área da habitação, o ministro desafiou o PS a regressar às negociações sobre a Lei dos Solos e mostrou abertura para ir além do compromisso alcançado entre os dois partidos.
“O PSD tinha uma proposta mais abrangente”, recordou, defendendo que “faz sentido insistir” na revisão do diploma caso exista margem para entendimento político. O governante afirmou mesmo que gostaria de ver um acordo que permitisse avançar mais na possibilidade de urbanização de terrenos rústicos.
Para acelerar a disponibilização de terrenos para construção, Castro Almeida revelou também que o Banco Europeu de Investimento deverá disponibilizar, durante o primeiro trimestre do próximo ano, uma linha de financiamento para os municípios destinada à urbanização de terrenos. O montante deverá situar-se entre 500 milhões e mil milhões de euros.
O ministro considerou ainda que o encerramento progressivo dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) poderá libertar mão de obra para o setor da construção habitacional.
“Vai haver mais disponibilidade para as construtoras fazerem casas porque vão estar a fazer menos escolas”, afirmou.
Questionado sobre a Galp, onde o Estado mantém uma participação de cerca de 8%, Castro Almeida não afastou a hipótese de um reforço dessa posição.
“Se disser que está fora de causa, estou a mentir. Vamos avaliando”, respondeu.
Sobre o fim do processo que poderia levar a espanhola Moeve a entrar no capital da petrolífera, o ministro justificou a intervenção do Governo com razões de interesse estratégico nacional, sublinhando a importância da refinaria de Sines para a segurança energética do país.
Segundo o governante, o Executivo fez questão de transmitir que a única refinaria existente em Portugal está sujeita a um princípio de interesse público e que qualquer alteração acionista não poderia colocar em causa a capacidade de resposta em situações de turbulência nos mercados energéticos.
TAP: privatização é oportunidade que não deve ser desperdiçada
Relativamente à TAP, Manuel Castro Almeida evitou comentar o modelo concreto de privatização, mas deixou clara a sua convicção de que o processo deve avançar. Os partidos da oposição, afirmou, “não podem deixar de estar a pensar neste assunto”. O ministro acrescentou que ficaria “muito penalizado” se Portugal desperdiçasse a atual oportunidade de concretizar a operação, classificando essa eventualidade como “um erro gravíssimo”.
O responsável pela pasta da Economia revelou também que o Governo está em contactos com potenciais investidores para o setor automóvel.
Sem identificar empresas ou projetos em concreto, garantiu que existem investidores que têm mantido um “diálogo frutuoso” com a Administração Pública portuguesa, numa tentativa de posicionar Portugal como destino de novos investimentos industriais relacionados com a mobilidade e a produção automóvel.
Já quanto à anunciada possibilidade de protestos das freguesias contra o financiamento previsto no Orçamento do Estado, Castro Almeida admitiu que ficaria “dececionado” se as autarquias locais encerrassem portas a 4 de novembro.
O ministro defendeu que as freguesias terão um orçamento reforçado em 2027 e garantiu a criação de uma verba adicional de 1,7 milhões de euros para compensar os casos em que os critérios de distribuição não permitam esse reforço.
Sobre as contas públicas, admitiu ainda que, caso exista “algum excesso de prudência” nas previsões orçamentais, a experiência demonstra que os principais beneficiários acabam por ser os pensionistas.
Por fim, quanto à hipótese de uma coligação parlamentar negativa que venha a aumentar significativamente a despesa pública, o governante foi perentório, considerando que tal cenário seria “criminoso”.
